A recarga rápida é uma das áreas que mais avançam no mercado de carros elétricos. Agora, a Geely quer elevar ainda mais esse patamar com uma tecnologia capaz de entregar até 2.250 kW de potência de pico.
A fabricante chinesa apresentou oficialmente o Geely Smart Charge, sistema de recarga baseado no conceito Xingrui PowerMind, que combina inteligência artificial, gerenciamento térmico e baterias de alta taxa de carregamento.
A promessa é reduzir o tempo de permanência do veículo no carregador para poucos minutos.
Nos testes realizados pelo Centro Chinês de Pesquisa Automotiva (CATARC), um veículo equipado com a tecnologia chegou a registrar 1.093 kW de potência de carregamento.
Mais do que simplesmente aumentar a potência, porém, a Geely aposta no controle da temperatura da bateria como um dos elementos centrais para tornar a recarga ultrarrápida viável.
Carregador de 2.250 kW usa IA para controlar a bateria
O sistema Geely Smart Charge utiliza algoritmos capazes de prever alterações na temperatura da bateria com até 30 segundos de antecedência.
A partir dessas previsões, o sistema ajusta dinamicamente a potência enviada ao veículo.
Segundo os dados apresentados pela fabricante, o objetivo é manter a temperatura média da bateria abaixo de 55 °C, enquanto os picos ficam abaixo de 65 °C.
Esse gerenciamento é importante porque a temperatura é um dos principais fatores que precisam ser controlados durante uma recarga de altíssima potência.
Quanto maior a corrente utilizada para carregar a bateria, maior também é o desafio térmico. Por isso, simplesmente aumentar a potência do carregador não é suficiente: bateria, sistema de gerenciamento e infraestrutura precisam trabalhar em conjunto.
Zeekr 001 pode carregar de 10% a 97% em 8 minutos e 40 segundos
Um dos destaques da nova tecnologia é a bateria Aegis Golden Brick de lâmina ultracurta, desenvolvida para suportar taxas elevadas de carregamento.
A versão de 12C, com 395 mm, está presente no Lynk & Co 10 e também no Zeekr 001 FR.
Nos testes divulgados pela Geely, o conjunto conseguiu:
- 10% a 70%: aproximadamente 4 minutos e 30 segundos;
- 10% a 97%: aproximadamente 8 minutos e 40 segundos;
- potência de pico registrada no veículo: 1.093 kW;
- temperatura máxima registrada: 64 °C.
Isso significa que, em condições específicas de teste e utilizando uma infraestrutura compatível, o carro pode recuperar grande parte da carga em um período comparável ao tempo necessário para uma parada rápida em um posto convencional.

O que significa uma bateria 12C?
A nomenclatura 12C representa a taxa máxima de carga em relação à capacidade energética da bateria.
Na prática, quanto maior o número associado ao C, maior é a capacidade do sistema de aceitar uma corrente elevada em determinado cenário de carregamento.
A bateria 12C da Geely foi desenvolvida justamente para aplicações de recarga extremamente rápida.
Isso não significa, entretanto, que qualquer carregador consiga entregar essa potência. Para aproveitar todo o potencial de uma bateria desse tipo, é necessário que exista uma infraestrutura de carregamento compatível, além de um sistema elétrico e térmico preparado para trabalhar nessas condições.
É uma mudança importante de conceito: a evolução da recarga não depende apenas dos eletropostos, mas também da tecnologia utilizada dentro do veículo.
Geely também apresentou bateria 6C
Além da bateria 12C, a fabricante chinesa apresentou uma segunda solução, com taxa de carregamento de até 6C.
Essa bateria possui 370 mm e será utilizada no novo Geely Galaxy E5, modelo vendido no Brasil como Geely EX5.
De acordo com os números apresentados pela empresa, a bateria 6C consegue fazer a recarga de:
- 10% a 70% em aproximadamente 8 minutos e 25 segundos.
A tecnologia mostra que a estratégia da Geely não está concentrada em apenas um modelo. A empresa pretende aplicar diferentes níveis de capacidade de carregamento de acordo com o veículo e sua proposta.

2.250 kW significa que todos os carros vão carregar nessa potência?
Não.
Esse é um ponto importante para entender a tecnologia apresentada pela Geely.
Os 2.250 kW representam a potência de pico anunciada para a estação de recarga, e não necessariamente a potência que será recebida por qualquer veículo conectado ao equipamento.
Durante os testes, por exemplo, o Lynk & Co 10 registrou pico de 1.093 kW.
A potência efetivamente utilizada depende de diversos fatores, incluindo:
- capacidade da bateria;
- arquitetura elétrica do veículo;
- taxa máxima de carregamento da bateria;
- estado de carga;
- temperatura;
- sistema de gerenciamento térmico;
- capacidade do carregador.
Além disso, a potência de carregamento não permanece necessariamente constante durante toda a sessão. Ela pode diminuir conforme a bateria se aproxima de níveis elevados de carga.
Por isso, números de potência máxima e tempo de recarga precisam ser analisados em conjunto.
Geely pretende ampliar a infraestrutura de recarga na China
A tecnologia de bateria precisa ser acompanhada por uma rede de carregadores capaz de utilizá-la.
A Geely afirma que pretende instalar mais de 100 mil pontos de recarga em território chinês até o fim de 2027.
Desse total, mais de 50 mil pontos serão equipados com a tecnologia Geely Smart Charge.
A empresa também estabeleceu como objetivo ampliar a cobertura para todos os condados da China.
Para estimular a adoção dos novos modelos, proprietários de veículos elegíveis comprados antes de 1º de janeiro de 2028 receberão um subsídio anual para recarga durante dois anos, segundo o anúncio da fabricante.
Garantia das baterias também foi ampliada
A Geely anunciou ainda uma mudança nas condições de garantia das baterias para os modelos elegíveis.
A cobertura passou de:
8 anos ou 150 mil km
para:
8 anos ou 200 mil km.
A ampliação acompanha a estratégia de expansão das baterias de alta capacidade de carregamento e da nova infraestrutura de recarga.
O que essa tecnologia representa para os carros elétricos?
A evolução apresentada pela Geely mostra que a disputa tecnológica entre fabricantes de veículos elétricos não está limitada à autonomia.
A velocidade de recarga está se tornando outro elemento importante na experiência de uso.
Uma bateria capaz de recuperar grande quantidade de energia em poucos minutos pode reduzir uma das principais diferenças práticas entre um carro elétrico e um veículo convencional durante viagens longas.
Por outro lado, essa tecnologia também exige investimentos significativos em infraestrutura.
Um carregador com potência de mais de 2 MW está muito acima do que é encontrado atualmente na maioria dos pontos de recarga públicos, inclusive em mercados onde a infraestrutura de veículos elétricos já está mais desenvolvida.
Para o Brasil, isso significa que a chegada de tecnologias desse tipo dependerá não apenas da oferta dos veículos, mas também da evolução da infraestrutura nacional de recarga.
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Geely x BYD: a disputa pela recarga ultrarrápida
A apresentação da Geely ocorre em um momento de forte evolução da infraestrutura de recarga na China.
A BYD também vem investindo em sistemas de carregamento de altíssima potência, aumentando a competição entre as fabricantes chinesas em uma área que pode influenciar diretamente a experiência dos consumidores.
Nesse cenário, a corrida não envolve apenas quem consegue anunciar a maior potência de carregamento.
Baterias capazes de aceitar altas taxas de carga, gerenciamento térmico, eletrônica de potência e uma rede de eletropostos compatível precisam evoluir simultaneamente.
É justamente essa integração entre bateria, software, gerenciamento térmico e infraestrutura que pode determinar o quanto da potência anunciada será realmente aproveitada no uso cotidiano.
Recarga ultrarrápida ainda precisa chegar ao uso cotidiano
Os números apresentados pela Geely são expressivos: uma bateria 12C pode, em condições de teste, sair de 10% para 97% em menos de nove minutos.
Mas existe uma diferença importante entre o desempenho de laboratório e a utilização cotidiana.
Para que o motorista consiga repetir esses tempos na prática, será necessário encontrar um carregador compatível, ter um veículo preparado para receber a potência e operar dentro das condições adequadas de temperatura e estado de carga.
Ainda assim, a evolução mostra uma direção clara do mercado: os fabricantes estão trabalhando para reduzir cada vez mais o tempo necessário para recarregar um carro elétrico.
Se essa tecnologia chegar a uma escala maior, a parada para recarga durante uma viagem poderá se aproximar cada vez mais da duração de uma parada convencional.
A Geely apresentou uma das propostas mais agressivas do mercado para reduzir o tempo de recarga de carros elétricos.
Com 2.250 kW de potência de pico, baterias de até 12C e gerenciamento térmico auxiliado por inteligência artificial, a empresa pretende transformar a recarga ultrarrápida em um dos principais diferenciais de sua nova geração de veículos.
Nos testes divulgados, o Zeekr 001 fr e outros modelos equipados com a bateria 12C podem recuperar de 10% a 70% em cerca de 4 minutos e 30 segundos, enquanto a faixa de 10% a 97% pode ser concluída em aproximadamente 8 minutos e 40 segundos.
O desafio agora é transformar esse desempenho em uma experiência disponível em larga escala. Para isso, veículos, baterias e infraestrutura de recarga precisarão evoluir juntos.





